11/08/2021 / 3 meses ½ atrás

A deficiência de glutationa pode estar associada à gravidade da COVID

A deficiência de glutationa pode estar associada à gravidade da COVID

RESUMO DA MATÉRIA

  • A deficiência de glutationa pode ser a raiz da gravidade da COVID, pois leva a um estresse oxidativo significativo, inflamação pulmonar e insuficiência de múltiplos órgãos
  • Um cientista relacionou a deficiência de glutationa com muitas das comorbidades que aumentam a gravidade da COVID-19, incluindo idade, diabetes, sexo e tabagismo
  • O pesquisador também encontrou dados indicando que a deficiência de glutationa pode afetar sua capacidade de sintetizar vitamina D, outro fator de risco para doenças graves
  • Suplementação de NAC, alimentos ricos em precursores de glutationa, exercícios aeróbicos e treino de força podem ajudar a manter seus níveis saudáveis

Os coronavírus foram identificados em meados da década de 1960 e assim denominados por causa das pontas em forma de coroa na superfície da célula. Até a chegada do primeiro SARS-CoV em 2003, havia quatro coronavírus comuns. A lista do CDC com os sintomas desses vírus mostra que são iguais aos do resfriado comum. Eles incluem coriza, dor de garganta, dor de cabeça, febre e tosse.

No entanto, pelo que os cientistas descobriram desde o início da pandemia global, os sintomas e efeitos a longo prazo são muito diferentes para o SARS-CoV-2. Os sintomas iniciais incluem febre, tosse, falta de ar, fadiga e perda de paladar ou olfato. No entanto, ao contrário de um coronavírus natural, as complicações adicionais podem afetar o sistema cardiovascular, rins, fígado e pulmões.

Uma das disfunções subjacentes identificadas que provocam falta de ar e complicações pulmonares graves é a hipercoagulabilidade. Em um estudo, os pacientes que foram admitidos no Hospital Universitário de Padova na Itália por insuficiência respiratória aguda apresentaram "perfis de tromboelastometria marcadamente hipercoaguláveis". Os pesquisadores afirmaram:

“Em conclusão, os pacientes com COVID-19 e insuficiência respiratória aguda apresentam uma hipercoagulabilidade grave em vez de coagulopatia consumptiva. A formação e polimerização da fibrina podem predispor à trombose e se correlaciona com um desfecho pior."

As formações de coágulos em todo o corpo podem estar associadas a outras complicações que surgem após a cura da doença. Parece que a diferença entre as pessoas com doenças leves ou graves pode estar relacionada à capacidade do corpo de reduzir a hipercoagulabilidade e a resposta hiperimune que leva a uma enxurrada de citocinas.

Como funciona a glutationa: Um "antioxidante mestre"?

Antioxidante é uma molécula que impede a oxidação de outras moléculas. A glutationa é um poderoso antioxidante que pode desempenhar um papel significativo no processo de enfermidade da COVID-19. Existem 20 aminoácidos que podem se ligar em diferentes formações para criar uma molécula de proteína.

No entanto, a glutationa é um tripeptídeo, o que significa que existem apenas três aminoácidos que se alinham para formar uma molécula de glutationa. Estes são cistina, glicina e glutamato. Juntos, eles ajudam a usar e reciclar outros antioxidantes, como a vitamina C e CoQ10.

Isso significa que seu corpo usa a glutationa para aumentar a eficácia desses antioxidantes e ajuda a reciclar as moléculas. Sem a glutationa, a capacidade antioxidante é significativamente reduzida. Essa função pode ser o que deu à glutationa o apelido de "antioxidante mestre".

A N-acetilcisteína (NAC) desempenha um papel como precursor da glutationa. Evidências clínicas também demonstraram os efeitos da NAC, independentemente do seu papel com a glutationa, incluindo um efeito trombolítico. Também melhora o estresse oxidativo e a resposta inflamatória.

No final de março de 2020, um estudante de medicina testou essa teoria quando sua mãe, Josephine Bruzzese, de 48 anos, foi diagnosticada com pneumonia no NYU Langone Hospital-Brooklyn. Sem nenhum teste de COVID-19 disponível, eles a mandaram para casa como um caso de suspeita. Foi-lhe prescrito hidroxicloroquina e azitromicina, o que ajudou a melhorar alguns sintomas, mas não sua respiração.

Quando ela não conseguia mais ficar de pé e tinha graves problemas respiratórios, seu filho entrou em contato com o Dr. Richard Horowitz, um especialista que estava tratando a doença de Lyme de sua irmã. Ele sugeriu o uso de glutationa para reduzir a inflamação e proteger o tecido pulmonar de Josephine. Os resultados foram drásticos.

Uma hora depois de receber uma dose de 2.000 mg de glutationa, sua respiração melhorou e ela conseguiu ficar de pé. Ela continuou tomando glutationa por cinco dias e não teve recaídas. Falando a um repórter do New York Post, Horowitz disse que está trabalhando para criar um extenso ensaio clínico para provar a eficácia do que ele chama de "um tratamento fácil que não é caro".

Em 5 de maio de 2020, o Memorial Sloan Kettering Cancer Center publicou um ensaio clínico no Clinicaltrials.gov anunciando um estudo envolvendo o uso de NAC em pacientes com COVID-19. Nessa pesquisa inédita, a equipe de estudo planeja inscrever pacientes com doença grave: um grupo no estudo receberá 6 gramas de NAC por via intravenosa todos os dias, além de outros tratamentos.

Cientistas sugerem que a deficiência de glutationa está associada à gravidade da COVID-19

Quase ao mesmo tempo em que o estudo foi anunciado pelo Memorial Sloan Kettering, um cientista russo publicou artigos propondo que a glutationa desempenha um papel crucial na capacidade de uma pessoa em responder à uma infecção por COVID-19 e na gravidade resultante da doença.

Além disso, o Dr. Alexey Polonikov, da Kursk State Medical University, levanta a teoria de que a glutationa pode ser usada como prevenção e no tratamento da doença. Polonikov estuda a genética molecular humana e o estresse oxidativo.

Com base na exaustiva análise que realizou na literatura médica, ele disse acreditar que a deficiência de glutationa é uma razão plausível para a gravidade da COVID-19:

“(1) o estresse oxidativo contribui para a hiperinflamação do pulmão, levando a desfechos adversos da doença, como a síndrome do desconforto respiratório agudo, insuficiência multi-orgânica e morte;

(2) a defesa antioxidante insuficiente devido à deficiência de glutationa endógena como resultado da diminuição da biossíntese e/ou aumento da depleção de GSH é a causa mais provável do aumento do dano oxidativo no pulmão, independentemente de quais fatores foram responsáveis por esse déficit, seja o envelhecimento, comorbidade por doença crônica, tabagismo ou outros."

É importante ressaltar que isso aumenta o superóxido em pessoas que começam com níveis elevados devido a condições crônicas como doenças cardíacas, diabetes e hipertensão. Como o vírus usa a enzima ACE2, ele gera angiotensina II, que, por sua vez, gera mais superóxido.

O vírus também atrai um tipo de neutrófilo (leucócitos polimorfonucleares) que também pode aumentar a produção de superóxido. O superóxido então produz outros radicais hidroxila, incluindo peróxido de hidrogênio (H2O2).

Essas EROs, que causam danos celulares, podem ser reduzidas com a glutationa peroxidase, pois ela oxida a glutationa no processo de redução do H2O2 em água. Como pode ver, a deficiência de glutationa criaria um aumento de EROs, conforme descreve Polonikov.

Os fatores de risco comórbidos associados à deficiência de glutationa

A defesa antioxidante contra os danos das EROs é crucial para a homeostase de todo o corpo. Polonikov acredita que uma taxa mais alta de doenças graves causadas pelo vírus em adultos mais velhos e naqueles com comorbidades sugere que há processos biológicos relacionados que tornam esses indivíduos específicos mais sensíveis. Ele escreve:

"Especificamente, a homeostase redox prejudicada e o estresse oxidativo associado parecem ser processos biológicos importantes que podem ser responsáveis pelo aumento da suscetibilidade individual a diversas afrontas ambientais."

Em uma avaliação de pacientes com COVID-19 de seis hospitais de Atlanta, os pesquisadores descobriram fatores independentes que aumentavam o risco de hospitalização: tabagismo, diabetes tipo 2, sexo masculino, pele negra, idade avançada e obesidade. Polonikov encontrou evidências de que a deficiência de glutationa pode estar implicada nessas comorbidades.

Em seu artigo, ele identifica a redução progressiva da glutationa endógena com o envelhecimento. Ele acredita que isso torna “os idosos mais suscetíveis aos danos oxidativos causados por diferentes fatores ambientais em comparação com os indivíduos mais jovens”. Ele ressalta que as deficiências de glutationa endógena também são encontradas em pessoas que sfrem de outras comorbidades.

Ele sugere que os níveis reduzidos na presença de uma doença crônica poderiam dar início ao estresse oxidativo e exacerbar a inflamação pulmonar, levando, em última análise, "à síndrome da angústia respiratória aguda (SDRA), insuficiência de múltiplos órgãos e morte". Alguns homens e fumantes também apresentam níveis mais baixos de glutationa, o que aumenta o risco.

Em outro estudo em andamento sobre a genética da homeostase redox e o diabetes tipo 2, quatro pacientes do grupo de controle contraíram COVID-19. Amostras de sangue foram coletadas e usadas para medir os níveis de EROs e glutationa.

Todas as quatro eram mulheres não fumantes, sem doença crônica, cujos exames de PCR deram positivo. Em casos de indivíduos que se recuperaram rapidamente, a proporção de EROs para glutationa foi de 2,075 para 0,712 ou menos.

Em pacientes com doença mais significativa, a proporção foi de 3,677 para 0,531 em um paciente e chegando a 2,73 para 0,079 no segundo. No primeiro paciente com doença significativa, a proporção era superior ao dobro de pacientes que se recuperaram rapidamente. No segundo paciente, a proporção era superior a 11 vezes mais.

A relação entre a vitamina D e o ômega-3

Em termos de vitamina D, Polonikov sugere que sua relação e a gravidade da doença possa ter mais a ver com uma deficiência de glutationa. Ele aponta vários estudos que correlacionam os níveis de glutationa com a vitamina D e outro no qual os cientistas descobriram que níveis mais baixos de l-cisteína, um precursor da glutationa, correlacionavam-se com níveis mais baixos de vitamina D em pessoas com diabetes tipo 2.

Em um estudo recente com animais, os pesquisadores também analisaram se a deficiência de glutationa poderia induzir mudanças que prejudicavam o metabolismo da vitamina D. Eles descobriram que a deficiência poderia alterar a biossíntese e explicaram o mecanismo para a deficiência de vitamina D que ocorre com a deficiência de glutationa.

Os pesquisadores sugerem a existência de um possível benefício na suplementação com glutationa a fim de reduzir a deficiência de vitamina D. Polonikov escreve que esse estudo fornece informações sobre a importância que a glutationa desempenha no controle da biossíntese de vitamina D endógena e demonstra os benefícios do tratamento na redução de sua deficiência.

Acredito que ambos os nutrientes sejam vitais para a proteção contra doenças graves. Embora a deficiência de glutationa possa afetar a capacidade de sintetizar vitamina D, isso é aplicável apenas quando você tem exposição ao sol ou suplementação suficiente para aumentar seu nível de vitamina D.

No entanto, sabemos que é difícil tomar sol suficiente, especialmente durante os meses de inverno. Além disso, a maioria das pessoas usa grandes quantidades de protetor solar ou evita o sol, o que pode piorar o problema da deficiência.

Estratégias para promover os níveis ideais de glutationa

Os níveis de glutationa podem ser aprimorados através dos alimentos, suplementos e exercícios. Polonikov acredita que a NAC por via oral pode ser uma estratégia preventiva para ajudar a manter os níveis de glutationa. Em seu artigo, ele concluiu:

“Portanto, a administração oral de N-acetilcisteína como medida preventiva contra infecções virais, bem como a injeção intravenosa de NAC ou glutationa reduzida (GSH é altamente biodisponível) em pacientes com doença grave podem ser opções eficazes contra a infecção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2."

Seheult acredita que há mais danos causados pelo COVID-19 do que o estresse oxidativo. Ele ressalta que os coágulos removidos de pacientes com COVID confirmada são ricos em plaquetas, indicando outro mecanismo envolvendo as ligações dissulfeto. Ele explica:

“E, como já falamos, a N-acetilcisteína e a redução da glutationa quebrarão essas ligações dissulfeto e, potencialmente, aliviarão a obstrução e a hipoxemia na COVID-19. Novamente, tudo isso é uma hipótese, mas parece que se encaixa."

Os alimentos que tiveram um impacto positivo na produção de glutationa incluem vegetais crucíferos, como brócolis, chá verde, curcumina, alecrim e cardo de leite. Ter um sono de qualidade também pode ajudar.

Diferentes tipos de exercício podem influenciar os níveis de glutationa. Em um estudo, os pesquisadores inscreveram 80 voluntários saudáveis, mas sedentários, para medir o tipo de exercício que pode ter o maior efeito. Eles descobriram que o treino aeróbico em combinação com a musculação em circuito mostrou o maior benefício.

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